A contracepção depois do aborto pode começar mais cedo do que muitas pessoas imaginam. A fertilidade pode regressar antes da primeira menstruação, por vezes cerca de duas semanas após o aborto. Por isso, se não quiser engravidar novamente agora, vale a pena decidir qual o método que lhe dá mais segurança e tranquilidade desde já.

Não existe uma única escolha certa. O melhor método depende da sua saúde, dos seus planos reprodutivos, da facilidade de acesso e daquilo com que se sente confortável. Pode falar sobre estas opções durante o atendimento ou depois, quando se sentir preparada.

Quando começar a contracepção depois do aborto?

Na maioria dos casos, não é necessário esperar pela menstruação para iniciar um método contraceptivo. Depois de um aborto médico com medicamentos ou de um procedimento cirúrgico, vários métodos podem ser iniciados no próprio dia ou nos dias seguintes.

Começar cedo é útil porque a ovulação pode acontecer antes de voltar a menstruar. Isto significa que é possível uma nova gravidez mesmo sem ter tido período desde o aborto. Ter relações sexuais sem protecção neste intervalo pode levar a uma gravidez não planeada.

Ainda assim, o momento exacto pode variar. Se tiver feito um aborto médico, a equipa de saúde pode confirmar se a gravidez terminou antes de colocar um DIU. Se tiver sintomas de infecção, hemorragia intensa ou dor que não melhora, a prioridade é receber avaliação clínica antes de iniciar ou colocar determinados métodos.

Métodos que podem ser usados de imediato

A contracepção hormonal, como a pílula, a injecção, o implante e o adesivo ou anel, pode geralmente ser iniciada logo após o aborto. Estes métodos funcionam de formas diferentes, mas todos procuram evitar a ovulação ou dificultar a fecundação.

A pílula pode ser uma boa opção para quem prefere um método que controla pessoalmente e consegue tomar todos os dias à mesma hora. A injecção é indicada para quem quer menos preocupações diárias, mas exige regressar ao serviço de saúde nas datas certas. O implante é colocado debaixo da pele do braço por um profissional de saúde e protege durante vários anos, podendo ser retirado quando desejar engravidar.

O DIU, de cobre ou hormonal, é outra opção de longa duração. Pode ser colocado imediatamente após um aborto cirúrgico sem complicações ou depois de se confirmar que o aborto médico foi completo. O DIU de cobre não tem hormonas e também pode tornar os períodos mais abundantes ou dolorosos, sobretudo nos primeiros meses. O DIU hormonal tende a reduzir o fluxo menstrual com o tempo, mas pode causar pequenos sangramentos irregulares no início.

Os preservativos podem ser usados assim que voltar a ter relações sexuais e são o único método contraceptivo que também ajuda a prevenir infecções sexualmente transmissíveis. Mesmo que escolha pílula, injecção, implante ou DIU, usar preservativo pode ser uma protecção adicional, especialmente com parceiros novos ou quando não conhece o estado serológico do parceiro.

Se escolheu pílula, injecção ou implante

Quando um método hormonal é iniciado logo após o aborto, a protecção pode ser rápida. Contudo, as recomendações podem mudar conforme o dia em que começou, o tipo de medicamento usado no aborto e o método escolhido. Por segurança, pergunte se deve usar preservativo durante os primeiros sete dias.

Se começou a pílula e se esqueceu de vários comprimidos, ou se não conseguiu regressar para receber a injecção na data prevista, use preservativo e peça orientação. Não precisa de lidar com esta situação sozinha nem de sentir vergonha. Ajustar ou trocar de método faz parte dos cuidados de saúde sexual.

Também pode acontecer que um método que parecia adequado deixe de funcionar para a sua rotina. Por exemplo, a pílula pode ser difícil para quem tem horários imprevisíveis, enquanto uma injecção pode não ser a escolha preferida por quem quer que a fertilidade regresse rapidamente depois de parar. Conversar sobre estes aspectos ajuda a escolher com mais liberdade, não com pressão.

Escolher de acordo com os seus planos

Antes de decidir, pense no tempo durante o qual quer evitar uma gravidez. Se pretende engravidar nos próximos meses, um preservativo ou a pílula podem ser opções práticas, porque pode deixar de os usar quando desejar. Se quer prevenir uma gravidez durante anos, um implante ou DIU pode oferecer maior comodidade.

Também conte a privacidade como um factor válido. Algumas pessoas preferem um método discreto, que não seja visível em casa ou que não exija guardar embalagens. Outras sentem-se mais seguras com um método que conseguem interromper por si próprias. A escolha é sua, e não precisa de ser definitiva.

Informe sempre o profissional de saúde se tem tensão arterial elevada, enxaquecas com aura, histórico de trombose, doença do fígado, anemia importante ou se toma outros medicamentos. Estas informações ajudam a evitar métodos que possam não ser aconselhados no seu caso.

O corpo precisa de recuperação, mas não de culpa

Depois do aborto, pode haver cólicas e sangramento durante alguns dias ou semanas. Isto não significa, por si só, que não possa usar contracepção. Mas talvez prefira esperar até se sentir fisicamente confortável e emocionalmente pronta para voltar a ter relações sexuais.

Não há uma regra que obrigue a retomar a actividade sexual numa data específica. Espere até se sentir bem e segura. Quando decidir ter relações, use o método contraceptivo escolhido desde o início. Se houver risco de infecção sexualmente transmissível, use preservativo em todas as relações vaginais, anais ou orais, conforme a prática sexual.

O aborto e a contracepção fazem parte da saúde reprodutiva. Procurar prevenção depois de interromper uma gravidez não significa que fez algo errado. Significa que está a cuidar de si e a planear o que quer para o seu corpo e para a sua vida.

Quando procurar apoio clínico antes de escolher um método

Procure apoio numa clínica ou serviço de saúde se tiver febre, corrimento com cheiro forte, dor abdominal intensa ou crescente, tonturas importantes, desmaio, ou hemorragia que encharca dois pensos higiénicos grandes por hora durante duas horas seguidas. Estes sinais precisam de avaliação e não devem ser tratados apenas com contracepção.

Também deve pedir orientação se não tem a certeza de que o aborto ficou completo, se o teste de gravidez continua positivo várias semanas depois, ou se teve relações sem protecção desde o aborto e receia uma nova gravidez. Nestas situações, uma equipa de saúde pode explicar os próximos passos de forma confidencial.

Na Aborto Seguro, pode encontrar informação e apoio para esclarecer dúvidas sobre recuperação, métodos contraceptivos e encaminhamento para cuidados presenciais. O apoio existe para que possa tomar uma decisão informada, sem julgamento e no seu ritmo.

Escolher contracepção depois do aborto é uma forma concreta de recuperar controlo sobre a sua fertilidade. Faça perguntas, considere o que é possível para a sua rotina e procure ajuda se algo não parecer normal. Merece cuidados claros, privados e respeitosos em cada etapa.

Copyright © 2026. Todos Direitos Reservados.
Políticas de PrivacidadeDesign by: Signus
menu-circlecross-circle
linkedin facebook pinterest youtube rss twitter instagram facebook-blank rss-blank linkedin-blank pinterest youtube twitter instagram